Efeito das más notícias no psicológico e algumas estratégias para preservar sua saúde mental
- Rafael Maisonnette de Araujo
- 22 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Médicos, enfermeiros, bombeiros, cuidadores de pacientes terminais, assistentes sociais… Esses profissionais que atuam diariamente diante do sofrimento alheio frequentemente enfrentam o que a psicologia chama de fadiga por compaixão. Trata-se de um esgotamento emocional causado pelo contato contínuo com a dor do outro, um desgaste que pode afetar não apenas o bem-estar, mas também a motivação e a saúde mental dessas pessoas.
Mas e quem não está diretamente no “campo de batalha da vida”? E quem não cuida de vítimas, não atua em emergências, mas está exposto todos os dias às trágicas notícias do mundo? Essa é a questão: Qual seria o efeito das más notícias no psicológico das pessoas?
Guerras, violência, crise climática… é possível preservar o equilíbrio emocional?
A verdade é que o simples ato de acompanhar de perto o noticiário pode, por si só, desencadear sintomas muito semelhantes à fadiga por compaixão: angústia, cansaço, desânimo, sensação de impotência. Imagens de guerras, desastres naturais, violência urbana, crises ambientais e sociais vão se acumulando silenciosamente, afetando o nosso humor, o sono, o foco e até a esperança no futuro.
Quais podem ser os efeitos das más notícias no psicológico? Uma delas é que o cérebro fica em estado de alerta constante
A exposição frequente a conteúdos perturbadores ativa, no cérebro, mecanismos de defesa e alerta. Aos poucos, o sistema nervoso pode começar a reagir como se cada notícia fosse uma ameaça direta, gerando ansiedade, tensão muscular, insônia ou irritabilidade; ainda que tudo esteja, tecnicamente, “do lado de fora”.
Além disso, com o ritmo acelerado das redes sociais e da mídia digital, nem sempre há tempo ou espaço para processar o que se vê. É um turbilhão de eventos trágicos, em tempo real, que mal dá espaço para respirar.
Como lidar com a angústia diante das más notícias do mundo? Informar-se sim, adoecer não
Saber o que está acontecendo no mundo é um ato de responsabilidade, mas isso não significa ficar conectado o tempo todo. Criar limites é um ato de cuidado consigo mesmo. Filtrar as fontes, evitar notícias antes de dormir, silenciar notificações ou tirar “férias das informações” podem parecer gestos simples, mas têm grande impacto na saúde mental.
É também importante lembrar que não somos obrigados a ter opinião formada sobre tudo, nem precisamos reagir a cada tragédia no exato momento em que ela acontece. Cuidar do próprio estado emocional também é uma forma de estar mais presente e útil para os outros.
Cuidar do que está ao nosso alcance
Quando o mundo parece desabar, voltar o olhar para o que está ao nosso alcance pode ser reconfortante. Ações locais, vínculos afetivos, práticas de autocuidado e até momentos simples de prazer no cotidiano podem nos ancorar em meio ao caos.
E se a angústia persistir e você estiver se sentindo sobrecarregado com as más notícias que escuta, diariamente, buscar ajuda psicológica não é sinal de fraqueza e sim um ato de responsabilidade.
Caso você esteja em uma situações de crise emocional, ligue, gratuitamente, para o número 188 (Centro de Valorização da Vida), disponível 24h.
Rafael Maisonnette de Araujo
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