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Sono polifásico: a busca por produtividade pode custar o descanso que sua mente precisa

  • Foto do escritor: Rafael Maisonnette de Araujo
    Rafael Maisonnette de Araujo
  • 12 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura
Sono Polifásico

Vivemos em uma época em que o tempo se tornou o bem mais disputado. Entre jornadas longas de trabalho, estudos, compromissos pessoais e o uso constante de telas, muitas pessoas buscam alternativas para “render mais”. Uma das ideias que vem despertando curiosidade é o sono polifásico, um padrão em que o descanso é dividido em vários períodos curtos ao longo do dia, em vez de concentrado em um único bloco noturno.


O que é o sono polifásico


O termo refere-se à prática de fragmentar o sono em dois ou mais períodos de repouso dentro de 24 horas. Historicamente, esse padrão já existiu em alguns contextos. Durante a Idade Média, por exemplo, as pessoas praticavam o chamado sono segmentado: dormiam em dois blocos de tempo distintos, separados por um período de vigília noturna antes de retornarem ao repouso.

Hoje, o tema voltou a ganhar espaço nas redes sociais. Muitos relatos afirmam que dividir o sono em ciclos curtos permitiria dormir menos e produzir mais.


A promessa da produtividade


O principal atrativo do sono polifásico é a ideia de economia de tempo. Dormir menos, segundo seus defensores, ajudaria a aumentar a produtividade, liberar horas para o trabalho e manter o desempenho cognitivo.

Essa ideia reflete o modo de vida atual, que valoriza a eficiência e associa descanso à perda de tempo. Porém, do ponto de vista psicológico, esse tipo de comportamento pode levar à exaustão, irritabilidade e desequilíbrio emocional.


O que a ciência diz


O corpo humano segue ritmos biológicos bem definidos, regulados pelo ciclo circadiano. Alterar esse ritmo de forma prolongada pode causar sonolência diurna, lapsos de atenção e prejuízos na consolidação da memória.

O sono fragmentado também reduz o tempo em fases essenciais, como o sono REM e o sono de ondas lentas, que são fundamentais para o equilíbrio emocional e a restauração cerebral.

Embora algumas adaptações possam ocorrer, como em trabalhadores de turno ou pais de recém-nascidos, manter um padrão polifásico artificial por longos períodos pode trazer prejuízos. Estudos apontam maior risco de distúrbios do sono, alterações metabólicas e sintomas de ansiedade e depressão.


A dimensão psicológica do descanso


O sono é mais do que uma necessidade biológica. Ele também reflete nossa relação com o tempo, com os limites e com o autocuidado.

A tentativa de otimizar até o ato de dormir mostra o quanto a busca por produtividade pode se sobrepor às necessidades humanas básicas. Na Psicologia do Sono, entende-se que esse comportamento pode revelar dificuldade em desacelerar, lidar com o ócio e aceitar o momento de repouso como parte essencial da saúde.

Respeitar o sono é um exercício de consciência e autocompaixão. É reconhecer que a mente produtiva depende de um corpo descansado e que o verdadeiro equilíbrio surge quando há harmonia entre vigília e repouso.


Antes de buscar estratégias para “ganhar tempo”, vale refletir sobre como temos usado o tempo que já temos. Dormir bem não é sinal de fraqueza, mas de sabedoria fisiológica e emocional. A Psicologia do Sono pode auxiliar nessa jornada de reconexão com o descanso, ajudando na construção de hábitos e atitudes que favorecem noites realmente restauradoras.


Caso você enfrente dificuldades para dormir ou deseja compreender melhor seus padrões de sono, procure um psicólogo capacitado em Psicologia do Sono. Em situações de crise ou sofrimento intenso, o CVV, telefone 188, oferece escuta gratuita e confidencial 24 horas por dia.


Rafael Maisonnette de Araujo

WhatsApp +5521972159424

 
 

Psicólogo Rafael Maisonnette de Araujo

CRP-05/73869

Rio de Janeiro, Brasil

rafamaisonn@gmail.com

Atenção: este site não oferece atendimento imediato a pessoas em crise suicida. Em caso de crise, ligue para o Centro de Valorização da Vida - CVV - 188. Em caso de emergência, procure o hospital mais próximo. Havendo risco de morte, ligue imediatamente para o SAMU (telefone 192).

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