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Corpo em movimento, mente em equilíbrio: os efeitos da atividade física na saúde mental

  • Foto do escritor: Rafael Maisonnette de Araujo
    Rafael Maisonnette de Araujo
  • 29 de jul.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 3 de set.


Aula de Yoga ao ar livre

A prática regular de exercícios físicos é amplamente reconhecida pelos seus benefícios cardiovasculares, metabólicos e musculares. No entanto, nos últimos anos, diversos estudos têm destacado também sua relevância como um recurso auxiliar na promoção da saúde mental. Ansiedade, depressão e distúrbios do sono são condições que afetam milhões de pessoas, e o movimento corporal pode ser um importante aliado terapêutico nesses quadros.


No caso da ansiedade, por exemplo, exercícios aeróbicos, tais como a caminhada, a corrida, a natação ou andar de bicicleta, têm se mostrado eficazes na redução da hiperatividade do sistema nervoso simpático, favorecendo a liberação de neurotransmissores que promovem relaxamento. Já em quadros depressivos, a atividade física pode colaborar para o resgate da motivação, da autoestima e da sensação de vitalidade, especialmente quando associada a uma rotina planejada. Para quem sofre de insônia, a prática regular de movimento, feita em horários adequados, contribui para a regulação do ritmo circadiano e melhora a qualidade do sono.


Apesar desses benefícios, é importante considerar a motivação que sustenta a prática. Exercitar-se apenas por obrigação, culpa ou pressão estética pode gerar frustração e desistência. Encontrar formas de movimento, que tragam prazer e significado, como dançar, caminhar em um local agradável ou praticar uma atividade em grupo, favorece a constância e transforma o exercício em uma experiência mais integrada à vida cotidiana. O prazer no movimento é um fator psicológico essencial para que o corpo atue, de fato, como um aliado da saúde emocional.


A atividade física na saúde mental tem embasamento científico... Os benefícios da atividade física estão associados a alterações neuroquímicas, já que movimentar o corpo libera endorfinas, dopamina e serotonina que são neurotransmissores ligados à sensação de prazer, regulação do humor e motivação. Além disso, o exercício estimula o BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro), uma proteína que contribui para a neuroplasticidade e para a proteção de neurônios, com impacto direto na aprendizagem e no funcionamento cognitivo. Tudo isso ocorre sem a necessidade de grandes esforços físicos, desde que a prática seja regular e adaptada às possibilidades de cada pessoa.


Nesse sentido, o autoconhecimento desempenha papel central. Nem sempre “mais” é melhor. Escutar os sinais do corpo, respeitar os limites físicos e emocionais e evitar o excesso de exigência podem tornar o exercício um espaço de cuidado e não de cobrança. A prática deve ser compreendida como um momento de reconexão consigo, e não como mais uma tarefa imposta.


Muito além dos benefícios físicos, determinadas práticas corporais como a dança, a ioga, o alongamento, a corrida ao ar livre ou uma simples caminhada na areia ou na grama podem favorecer uma reconexão com o próprio corpo e com o momento presente. Esse tipo de atividade estimula a consciência corporal e sensorial, aspectos importantes para a autorregulação emocional. Movimentos ritmados e conscientes, aliados à respiração, podem contribuir para a redução da ansiedade, melhora da qualidade do sono e aumento do bem-estar psicológico. Em um cotidiano frequentemente marcado por excessos mentais e demandas externas, permitir-se esse contato com o corpo e com a natureza pode ser uma forma concreta de cuidar da saúde mental.


Exercício de Caminhada ao Pôr do Sol

Além disso, há efeitos cognitivos importantes que merecem destaque. A atividade física regular favorece o aumento da clareza mental, da concentração e da memória. Pessoas ativas tendem a relatar maior capacidade de foco e organização, o que pode contribuir diretamente para a produtividade e o enfrentamento de situações estressantes. A sensação de energia mental renovada após uma atividade física não é apenas subjetiva: está diretamente relacionada a processos cerebrais ativados durante o movimento.

Por fim, vale lembrar que corpo, mente e sono estão profundamente interligados. A privação de sono impacta o rendimento físico e mental, e a prática de atividade física, por sua vez, melhora a qualidade do sono, formando um ciclo de autorregulação extremamente positivo.


Como psicólogo com atuação nas áreas do Sono e do Esporte, percebo que pequenas mudanças de rotina, quando bem estabelecidas ou orientadas, podem representar grandes avanços na qualidade de vida. Exercitar-se não é apenas um cuidado com o corpo, mas também um gesto de escuta e respeito pela mente.


Rafael Maisonnette de Araujo

WhatsApp +5521972159424

 
 

Psicólogo Rafael Maisonnette de Araujo

CRP-05/73869

Rio de Janeiro, Brasil

rafamaisonn@gmail.com

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